James Reynolds, químico da Universidade de Loughborough, na Inglaterra, explicou ao site IFLScience que, teoricamente, deveria ser possível produzir queijo a partir do leite de qualquer mamífero.

Como mamĂ­feros, as baleias produzem leite – e, teoricamente, seria possĂ­vel fazer queijo a partir dele. CrĂ©dito: Slowmotiongli – Shutterstock

Geralmente, os principais obstĂĄculos giram em torno da Ă©tica, segurança e praticidade – afinal de contas, capturar um cetĂĄceo de 150 toneladas por causa de seu leite nĂŁo seria nem moral, nem seguro, muito menos lucrativo.

“No entanto, a internet tem especulado sobre diferentes leites de mamíferos”, disse Reynolds. “Então, vamos ‘viajar’ em como seria em teoria”.

 

Qual deve ser o sabor do queijo de baleia?

“O leite de baleia – se vocĂȘ pudesse obtĂȘ-lo por algum meio – seria capaz de produzir queijo”, garante Reynolds. “No entanto, uma pesquisa realizada sobre o leite de baleias azuis e barbatanas que foi publicada na Nature em 1953 mostrou que o teor de gordura e proteĂ­na do leite de baleia Ă© muito maior do que no leite de vaca, com o teor de gordura sendo de aproximadamente 40% e o teor de proteĂ­na sendo entre 10-12% no leite de baleia contra 4% e 3,3%, respectivamente, no leite de vaca. Observou-se que a quantidade de lactose era menor”.

EntĂŁo, o que isso significa para nossas torradas e noites de queijo de baleia e vinho? “Com tanta gordura presente na amostra, isso sugeriria que o queijo de baleia teria uma textura rica e cremosa, com um sabor levemente lembrando a peixe tambĂ©m”.

O queijo de baleia provavelmente seria cremoso, proteico e, possivelmente, com um leve sabor de peixe. CrĂ©dito: Sergey Bogdanov – ShutterstockCrĂ©dito da imagem: Sergey Bogdanov/Shutterstock.com

O que determina a textura e o gosto dos queijos?

Segundo Reynolds, o leite de vaca Ă© composto por 87,7% de ĂĄgua, 4,7% de açĂșcar lactose, 3,6% de gorduras, 3,2% de proteĂ­nas e 0,7% de minerais. “O açĂșcar lactose e um grupo de proteĂ­nas do leite chamadas caseĂ­nas (que compĂ”em aproximadamente 80% da proteĂ­na total do leite) desempenham papĂ©is importantes no processo de conversĂŁo do leite em queijo”.

Para a maioria dos queijos, começa com o aquecimento a 70°C para pasteurizar o leite e matar patógenos (como a gripe aviåria, por exemplo).

 

Dois componentes importantes são então adicionados: uma cultura bacteriana (chamada de cultura inicial) e uma preparação enzimåtica chamada coalho, que contém a enzima quimosina.

 

Essa mistura Ă© fermentada e, Ă  medida que as bactĂ©rias crescem e se dividem, o açĂșcar da lactose no leite se torna sua fonte de energia. O metabolismo da lactose diminui o pH atĂ© que a mistura fique ĂĄcida o suficiente para que a quimosina se torne ativa, desencadeando a caseĂ­na para coagular e coalhar o leite. Esse processo forma uma coalhada sĂłlida que pode ser desnatada, fatiada e prensada em um molde para amadurecimento.

Cada queijo tem sua textura e sabor próprios definidos no processo de produção. Crédito: Lee_2 por Pixabay

“O queijo pode entĂŁo ser maturado por vĂĄrios perĂ­odos de tempo e, em geral, quanto mais tempo amadurecido, mais forte Ă© o sabor”, disse Reynolds. “O queijo tambĂ©m pode ter fungos adicionados nesta fase que crescerĂŁo Ă  medida que o queijo amadurece. Queijos azuis como Roquefort e Stilton sĂŁo inoculados com Penicillium roqueforti que forma os veios caracterĂ­sticos que lhes dĂŁo sabor”.

O quĂ­mico explica que alterar qualquer um dos ingredientes ou como uma etapa Ă© realizada farĂĄ com que o queijo produzido tenha propriedades diferentes. “A composição do leite em termos de quantidade de lactose, gordura e proteĂ­na presentes influenciarĂĄ o sabor e a textura. Quanto maior o teor de gordura, mais liso e cremoso serĂĄ o queijo”.

Da mesma forma, o uso de um tipo diferente de bactĂ©ria para a cultura inicial mudarĂĄ o sabor do queijo produzido. “Cheddar, por exemplo, Ă© produzido usando espĂ©cies de Lactobacillus que sĂŁo fermentadas a cerca de 30°C, enquanto muitos queijos italianos como o parmesĂŁo usam bactĂ©rias termofĂ­licas como Streptococcus thermophilus que sĂŁo fermentadas a temperaturas mais altas, superiores a 40°C”.

Por que Ă© mais comum usar leite de vaca?

O leite de vaca é uma escolha comum para a fabricação de queijos, tanto por sua facilidade comparativa em termos de acesso, quanto pela composição de proteínas, lactose e gorduras, que permite aos fabricantes de queijo criar uma gama de produtos que abrangem diferentes sabores e texturas. Existem, no entanto, alguns queijos raros e artesanais que podem ser surpreendentes.

“O queijo Pule, que Ă© feito a partir de uma mistura de leite de cabra e de burra dos BalcĂŁs, por exemplo, Ă© um dos queijos mais caros do mundo”, revelou Reynolds. “E os buracos no queijo suíço sĂŁo formados por bolhas de gĂĄs carbĂŽnico geradas pela bactĂ©ria Propionibacterium freudenreichii usada como cultura de partida na fabricação do queijo Emmental”.

Com tanta variedade de queijos que se podem produzir a partir de fontes mais comuns de leite, o queijo de baleia parece nĂŁo valer o trabalho, o risco e um possĂ­vel sabor questionĂĄvel como resultado. (fonte> olhardigital)

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